Somos um todo

Há um poema que me vem sempre à memória quando vejo a aflição de alguém.

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do género humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
 John Donne

A verdade é que não somos ninguém estando sozinhos. De que nos vale o dinheiro, de que nos vale a fama ou a beleza se não temos companhia ao jantar, no dia de anos, no Natal, na celebração do novo emprego?
Eu não te conheço, podes ter todo o tipo de defeitos e qualidades mas nada te faz menos do que eu. Quem sou eu para te diminuir sem ter vivido a tua vida? Não posso determinar que mereces menos do que aquilo que eu gostaria para mim.
Na igreja o padre diz sempre que somos todos irmãos e, se gozei o suficiente com isto em miúda, hoje olho este dizer com respeito e fé, fé nos outros para que também acreditem que somos todos “filhos de Deus” (sem invocar qualquer tipo de religião), que todos temos os mesmos direitos e deveres e que todos somos iguais, feitos da mesma matéria.

1 comentário:

Krystel disse...

Fizeste-me lembrar muito o filme Into the Wild com este post. E tudo isso que disseste é verdade: não somos ninguém, nem nada, sozinhos. Porque somos muito e tanto de outros, às vezes sem nos darmos conta disso, que temos tanto de outros em nós mesmos.