Longe da vista, longe o coração

Não gosto de finais tristes, não gosto de histórias duras, não gosto da crueza da dor. Portanto, finjo que não existe, mudo de filme, desligo a rádio, fecho os olhos e ponho os fones nos ouvidos. “Go to your happy place”, dizem eles. E eu, sem happy place, procuro um sítio onde não encontre essa dor, onde não a ouça ou veja.
Chamo-lhes “filmes comidos” e, quando os vejo, faço-o de nó no estômago. Histórias reais de pessoas fictícias afligem-me e eu não sei lidar com esse desespero que, sem ser meu, meu se torna e eu sem o saber solucionar.
Quando as pessoas se tornam reais e as histórias minhas, a memória que tanto me falha, torna-se a minha esperança. Refugio-me no esquecimento que dificilmente consigo obter. A angústia impede as lágrimas de caírem e os braços de levantarem, as pernas tremem e uma quase apatia toma conta de mim.

Tento mudar, todos os dias. Todos os dias acredito, não em mim, mas em ti.


Sem comentários: