Ponto de encontro



As estações de comboio são iguais a tantas outras estações de autocarros, a tantas outras paragens e a tantos outros aeroportos mas mais descomplicadas. A senhora quase nem precisa de falar, o som das linhas férreas a tremer e o abanar dos cabos é aviso suficiente para sabermos que de lá vem mais um.
Ao entrar na estação encontra-se uma multidão que se divide em pequenos grupos, em casais e até mesmo em solitários que aguardam a sua boleia, seja de ida ou chegada. Abraços, sorrisos, apertos de mão, lágrimas escondidas, últimas chamadas que garantem que chegam ou partem à hora marcada.
Lá dentro o cenário é o mesmo mas com mais malas atiradas no asfalto a aguardar o lugar debaixo do assento porque, apesar de quase ser preciso pelo tamanho, não tem bilhete para ter direito a um lugar só seu.
O toque ouve-se, a senhora fala e são dados uns olhares de desespero de quem ainda está na fila à espera da sua vez para tirar bilhete, outros correm para arranjar o melhor lugar que é sempre ao lado de ninguém (conhecido ou não). O pica volta para a frente da carruagem, as portas fecham-se de vez, já depois de se terem aberto vezes sem conta para quem vai chegando nos cinco minutos de espera, e, mesmo assim, fica sempre alguém de fora, que acabou agora mesmo de chegar mas não chega a tempo e só fica a ver o comboio partir.
O comboio desaparece e a vida na estação continua, mesmo que a de algumas pessoas tenha parado ali. A estação tem alma própria, feita da alma de quem por lá passa.

1 comentário:

Krystel disse...

Acho exótico e fascinante os locais de passagem, de partida e de chegada. Adorei a descrição da tua estação de comboios (digo tua, porque há sempre pedaços de nós que deixamos lá e pedaços dela que trazemos connosco). Fascinante :*

Algo Estranho Acontece