E voltamos ao sacrifício dos dias

E voltamos ao sacrifício dos dias.
O meu coração, de tanto que inchou, reagiu como se tivesse ido contra uma agulha ao vê-lo virar as costas e entrar no carro que o trouxe para perto de nós mas que, agora, como um traidor, o nos leva para longe, bem longe.
As últimas horas juntos são como que uma entrada no purgatório ou um check-in, onde deixamos a bagagem que nos é essencial para seguirmos viagem para outro lado, por caminhos desconhecidos e enevoados, na esperança de que, chegados ao destino, encontremos a nossa bagagem tal como a tínhamos deixado.
Engolimos em seco, tentamos controlar a lágrima na esperança de não quebrarmos nenhum dos quatro pilares. Abraçamos, apertamos com força, desejamos "boa viagem" num sussurro e deixamos o carro sair, na esperança de que o amanhã o traga de volta, de vez. Deixamo-lo ir porque esperamos que o sacrifício resulte em dias melhores, sem dor ou saudade, sem distância ou medo.
Mas, por agora, só quero que siga viagem sem problemas em chegar ao destino.

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