Dar sem quê


Nos meus primeiros anos de universidade, falhei na boa educação de tal jeito que ainda hoje me rio da minha falta de jeito para as relações interpessoais.
Tenho um irmão e, dizem os estudos, devia estar habituada a partilhar as coisas. Pois bem, não é que não esteja, só nunca penso que alguém está à espera da minha metade.
Não vai há muito perguntaram-me “É um gelado para dois?” e a minha cabeça rebentou num “NÃO! Isto é bom demais para ter de dar parte a alguém!”. Não é por mal, a sério que não, gosto é de apreciar os prazeres desta vida e vai que comer é um deles.
Agora sem muitas brincadeiras, admiro quem dá sem quê, quem diz que traz porque diz que traz e traz mesmo, quem arranja soluções para problemas que nunca serão seus e quem dá sem olhar a quem. Poucos os há assim e eu tenho o prazer de conhecer uns quantos que guardo na mão esquerda porque a direita mexe muito e tenho medo de os perder.
O altruísmo está nos gestos pequenos e eu sou mais feliz por saber que um bocadinho desse altruísmo está à minha volta, todos os dias.




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