O típico texto sobre não saber que assunto escrever

Na sala, com distrações que me enchem os ouvidos e me desviam o olhar, já escrevi e apaguei vezes sem conta. Já escrevi sobre ceder ao que mais nos faz mal, paixões de segundos e falta de tomates – tudo em textos diferentes e com títulos diferentes (até mesmo sem título). Contudo, bem podia juntar tudo num único texto, só não o vou fazer porque me falta aquele toque divino a que chamam de inspiração.

É este conceito abstrato que me faz não falar sobre as tais paixões de segundos, aquelas que duram um olhar, que nos encantam sem nunca nos darem a oportunidade de nos desencantarmos. Não nos damos ao luxo de conhecer os defeitos do outro, apaixonamo-nos pela capa e idealizamos o conteúdo. Mas, entretanto, já passou – a paixão-pessoa e a paixão-sentimento. Nem sei até que ponto a paixão será um sentimento, é mais um desejo cego, bem mais cego que o amor que combate constantemente com a razão. A paixão é o que nos faz saltar fronteiras, sem medo do que de lá pode vir e com uma sede enorme do que lá vem.
A sorte destas paixões de que falo é que duram tão pouco tempo que o corpo não pede mais e, se nunca ultrapassamos limites, também nunca sabemos o que está do lado de lá. E talvez seja melhor assim.

E para o toque divino o truque está em fazer, apenas.



1 comentário:

Joana Sousa disse...

E talvez sejam essas paixões que nos vão alimentando a vida e a curiosidade. Nada de mal, desde que controladinhas...

Jiji